"(...) Gratíssimo pelas suas providências tão rápidas, geniais. Vou ficar aguardando e, se você me permite o palavrão, prelibando a chegada da tese da Adélia sobre o Álvaro Lins [no dia anterior, Otto Lara Resende havia pedido a Carlito que localizasse e enviasse para ele um exemplar da tese de Adélia Bolle sobre o escritor Álvaro Lins que tratava, num trecho, da "migração interior": "a pessoa não emigra para fora da sua cidade, nem do seu país, mas para dentro de si mesma. Fecha-se totalmente para o mundo e apresenta uma máscara de conformismo"]. Quanto à migração interior, seu belo texto cai muito bem. Você, com esse temperamento participante, generoso, nesse ímpeto de jogar-se, gastar-se, Quixote, você a última coisa que faria era migrar para dentro. Você não imigra. Você emigra. Pula, salta, atira-se. Eu é que, mineiro de beta funda, beta esgotada, pobre, sem ouro, ex-outro, miséria post-aurífera, eu sou do fundo de beta (ou de gaveta). Defeito tremendo. Vi o resto da sua correspondência - Nelsinho Motta, Chacrinha, tudo que prova a sua disposição felina, de tigre. Tem Minas e mineiro pra tudo. Inclusive para as suas grandezas e temeridades" Otto Lara Resende (22/10/75) "A sua atividade me impressiona. E me faz pena. Veja se me entende. Você não pode ficar assim, de veias abertas, dando-se com essa generosidade maluca. Você precisa poupar-se um pouco, desacelerar, diminuir o ritmo, cuidar também de você. A justiça começa em casa, diz São Paulo." Otto Lara Resende (6/2/76)
"A minha idéia de uma antologia de poesia social brasileira está morta e enterrada. Nem sequer guardei a documentação coligida. Desisti quando verifiquei que a maior parte dessa poesia era social mas não era poética, ou era apenas poética e nada tinha de social. Acho difícil, mesmo agora, fazer-se uma antologia boa deste gênero igualmente difícil. Mas sou grato a você pelo espontâneo oferecimento de colaboração. Li e apreciei muito os (...) papéis que me mandou. Você é único. O texto sobre responsabilidade social dos meios de comunicação, excelente" Carlos Drummond de Andrade (Rio, 14/11/80) "Na volta da esperança Carlos Drummond de Andrade (Rio, 1981-1928) "Que rosas mais rosas e mais rosas, em cor e perfume, as que você nos mandou! Minha mulher e eu ficamos encantados. Só não me encantei foi com a minha incompetência para tomar parte em júris, cívicos ou não. Eu já tinha escrito a você dizendo isto, quando recebi a sua mensagem ou apelo temido. Não me queira mal, Carlito: estou solidário com todas as críticas à Lei de Segurança Nacional, mas não tenho jeito de me exibir em público. Sou todo papel impresso, nada mais." Carlos Drummond de Andrade (Rio, 30/4/83)
"(...) Não sou pessimista como você. Os seus artigos às vezes me deixam perplexos. Você é um lutador de fibra e um homem que confia na massa do povo. Além disso, empenha-se em causas que outros julgariam românticas, pois são as causas da Humanidade em luta contra a barbárie. Como disse uma vez Lênin, é preciso sonhar. Você sonha até quando está acordado, pois o sonho dos que defendem a revolução popular e democrática não nos surpreende dormindo; no entanto, quanto pessimismo espalhado aqui e ali. Porque? Não se pode fazer tudo nos limites de uma geração. Portanto, o nosso papel é comparável aos corredores que se esforçam por entregar o bastão aos companheiros antes dos outros. Que mais poderemos fazer? É preciso confiar no esforço coletivo e alguém bamba nos esportes como você sabe disso melhor do que ninguém. O resto depende de oportunidades que não podemos criar sozinhos ou à luz da razão". Florestan Fernandes (14/9/84)
"Tenho três mensagens suas na mão. Você inventou alguns métodos notáveis para chamar a gente à realidade e à responsabilidade. Inclusive se jogando pessoalmente como tema, abrindo aquelas zonas da alma que podem ajudar os outros, e, sem a menor exibição, ensinando a vencer os pudores da omissão. As citações e frases que você semeia são oportuníssimas, como os casos que seleciona. No ano passado você mandou flores e palavras quando eu coordenava uma mesa redonda sobre cultura em Cuba. Encerrei lendo o que você dizia. Foi uma tempestade de aplausos. A 'Prova dos 9' é um exemplo perfeito do que referi: a confissão sem exibição, que abandona o ângulo pessoal restrito para se tornar auxílio, esperança e solidariedade. As suas mensagens estreladas enaltam e ajudam." Antonio Candido (Poços de Caldas, 26/11/85)
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