LOURENÇO DIAFÉRIA
, jornalista e escritor
(Crônica de Lourenço Diaféria, levada ao ar em seu programa
na Rádio Bandeirantes em novembro de 1998, por ocasião da
semana Viva a Vida em homenagem a Carlito Maia)

Dizem que nenhuma borboleta é igual a outra borboleta.

Da mesma forma nenhuma pessoa é igual a outra pessoa.

Talvez seja esse o maior milagre da natureza e uma das pistas para imaginar a criatividade de Deus e a dimensão infinita da eternidade.

Mas, mesmo admitindo que um Carlos seja um Carlos único, e não um outro Carlos. 
A cidade de São Paulo, e por extensão o Brasil tem o mais singular Carlos de todos.
Um único, inconfundível, um doce e bravo senhor que já ultrapassa a casa dos 70. 
Que poucos conhecem como Carlos Maia de Souza.

Mas todos conhecem de perto ou de longe, com os olhos ou com o ouvir dizer como: 
Carlito Maia.

O Carlito Maia pode ser definido como um profissional prismático. Desses que tem mil capacidades. Mas qualquer que seja a face exposta à luz, ele inventa um arco-íris.

O Carlito Maia sempre se comunicou com as palavras, que ele sabe usar como ninguém. 
Seus bilhetes, suas cartas, enviados a destinatários particulares ou remetidos a jornais e revistas que os publicam, tornaram-se símbolos de seu caráter e de sua militância pelas causas sociais no Brasil. 

Nada lhe escapa: A malandragem dos malandros, a desonestidade dos desonestos a safadeza dos safados, estejam entocadas nos porões ou nos pináculos do poder, tem sido alvo de suas flechas, de seu ariete e de sua borduna, mas isso sem perder a graça, a ironia, o bom humor.

Ser amigo do Carlito Maia não é um privilégio para poucos, ao contrário, o Carlito Maia tem mais amigos do que a quantidade de pétalas dos buquês de flores que ele manda entregar em domicílio.

Muita gente ingênua chegou a pensar que o Carlito fosse dono de uma rede de floriculturas ou que o Carlito tivesse um latifúndio de rosas lá em Minas, lá em Lavras, de onde veio para ser paulistano até o último fio de bigode.

Na verdade o que o Carlito Maia tem é um jardim no coração.

Nesta semana esse amigo de milhares está sendo homenageado por muitos amigos. 
Que num momento da vida aprenderam a sabedoria de suas frases, que se tornaram famosas e continuam famosas a espera de quem as recolha em livro.

Mais ou menos de memória cito algumas dessas frases: 

O povo está preparado para votar, Pelé. O que não sabemos é bater pênalti. 

Quem tem mãe, não sabe o que está perdendo. 

Vivo livre e solitário como uma árvore. Porém solidário como uma floresta. 

Evitem acidentes, façam tudo de propósito. 

Estar vivo. É o único privilégio que importa. 

Noite mais bela. Só se ouvia a luz da vela. 

Sou o que de mim fiz, porque assim quis.

Vivo sozinho, mas em boa companhia. 

Sonho. Logo existo. 

Venci na vida. perdendo. 

Em terra de doidos. Quem tem juízo é doido. 

O futuro é o presente depois. 

A esperança já perdi várias vezes. A fé jamais. 

Está aí nosso Carlito Maia filósofo, uma hora cáustico, outra hora radical, outra hora bonachão, mas eternamente terno. 

Carlito Maia perdeu a voz, o ar que tange as cordas vocais, só consegue emitir o som do silêncio. Mas o brilho de seus olhos ao receber um abraço dos amigos é um ramalhete de estrelas em sua face. 

Baita Abracito, cara!