A participação política foi um dever de cidadania para Carlito Maia, traduzida de diversas maneiras: escrevendo cartas indignadas para jornais, colaborando na criação das campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores, principalmente nas disputas de Eduardo Suplicy e com a parceria de companheiros de longa data, como Erazê Martinho. Também emprestava seu nome para manifestos políticos e movimentos sociais. O Movimento dos Sem-Terra foi ardorosamente defendido por ele.

Em 1983, criou o Tribunal Tiradentes, que julgou e condenou a Lei de Segurança Nacional. Também instituiu um prêmio simbólico para personalidades que se destacassem na luta pela Paz, pela Justiça e pela Liberdade. Os vencedores seriam aqueles que, na opinião de 1.062 amigos de Carlito (muitos dos quais ele sequer conhecia pessoalmente), fossem os mais votados pelo que fizeram ao longo de 1981. A premiação, que consistia apenas no anúncio dos vencedores e nada mais, seria feita em 1o de janeiro de 1982, Dia da Confraternização Universal. O Prêmio Mahatma Ghandi da Paz foi concedido a Dom Paulo Evaristo Arns, que recebeu 366 votos; o Prêmio Bertrand Russell da Justiça foi dado ao advogado Heráclito Sobral Pinto (que obteve 297 indicações); e, por fim, o pensador Alceu Amoroso Lima foi o vencedor do Prêmio Charles Chaplin da Liberdade, com 314 votos.

Duas das maiores criações de Carlito, no entanto, foram feitas para o PT: "optei" e "Lula lá". Houve quem quisesse dividir a paternidade do "Lula lá", mas registros jornalísticos não deixam dúvida de quem foi o criador da
expressão que consagrou as campanhas eleitorais de Lula para a presidência da República. O publicitário Paulo de Tarso Santos, por duas vezes (em entrevistas publicadas nos livros "Notícias do Planalto" e "Partido dos
Trabalhadores - Trajetórias"), insistiu em dizer que também era autor do "Lula lá". Na lembrança de Paulo de Tarso, "Lula lá" teria surgido nas primeiras reuniões da equipe de criação da campanha de TV do candidato
petista (ocorridas provavelmente em meados do primeiro semestre de 1989). Mas a expressão já havia sido cunhada por Carlito muito antes do processo eleitoral. A referência mais remota aparece em nota publicada no Jornal do Brasil, a 7 de dezembro de 1988:

"Carlito Maia, filósofo popular de São Paulo, faz tanta fé no PT que acaba de criar um slogan para a campanha de Luis Inácio da Silva à presidência da República. Lula lá. Parece canção de ninar"

Ao contrário do que supunha o jornal carioca, o mote tornou-se um dos mais belos jingles das campanhas políticas com a música de Hilton Acioli. Carlito era um entusiasta propagador da idéia, como mostra sua coluna "Tenho Dito", da Gazeta de Pinheiros. Na edição de 5 de fevereiro de 1989, ele escrevia:

"Brasil: vote-o ou fique-o! Logo mais teremos Lula lá e PT saudações. A continuação da virada...". Três meses depois, em 7 de maio, arrematava assim seu texto dirigido aos eleitores de 16 anos: "Então, Lula lá!".